O cheque pode ser menor, ou pode não existir
O Banco do Nordeste financia investimento produtivo com recursos do FNE,
e para micro e pequena empresa no Nordeste a linha vai até 100% do projeto. Uma
máquina importada instalada num endereço que já opera é exatamente o bem que ela
compra.
A operação não muda em nada: o resultado dos três anos continua sendo os
mesmos R$ 1.157.599. Muda de onde vem o capital. E no limite da linha ele não vem de
você.
689.706
reais é o que sobra em três anos com o aporte inteiro financiado, já pagos
os juros e já quitada a dívida, sem um centavo de capital próprio
A conta é esta, e ela cabe em quatro linhas. Com três
anos de carência você paga só juros nesse período, R$ 2.886 por mês. A operação
acumula R$ 1.053.706 até o mês 36. Quita os R$ 364.000 inteiros. Sobram
R$ 689.706. A partir do mês 37 a parcela vira R$ 7.219 por mês, e o resultado médio do
ano 3, de R$ 37.784, cobre essa parcela 5,2 vezes.
| Quanto vem do banco | Seu capital | Juros pagos, meses 1 a 36 | Parcela meses 1 a 36 | Parcela do mês 37 | ROI 3 anos | Payback |
| Nadao cenário de todo o resto deste documento | 364.000 | — | — | — | 218% | mês 14 |
| R$ 100.00027% do aporte | 264.000 | 28.542 | 793 | 1.983 | 290% | mês 12 |
| R$ 150.00041% do aporte | 214.000 | 42.813 | 1.189 | 2.975 | 351% | mês 10 |
| R$ 200.00055% do aporte | 164.000 | 57.084 | 1.586 | 3.967 | 449% | mês 8 |
| R$ 250.00069% do aporte | 114.000 | 71.355 | 1.982 | 4.958 | 634% | mês 7 |
| R$ 364.000, o aporte inteiroo que se pede ao banco | zero | 103.893 | 2.886 | 7.219 | sem capital próprio | — |
A coluna dos juros é a que responde “quanto custa”. Durante os 36 meses
de carência não se amortiza nada: paga-se só juros, e eles somam 28,5% de tudo o que for
tomado, qualquer que seja o valor. São R$ 28.542 para cada R$ 100.000. Esse dinheiro já
está descontado do ROI, do payback e dos R$ 689.706 desta seção — nenhum número aqui
é bruto de juros.
A última linha não tem ROI porque ROI é retorno sobre capital, e ali
não há capital para dividir. O que ela tem é R$ 689.706 de resultado e nenhum aporte na
frente. É por isso que o pedido ao banco é pelo valor cheio: o que vier a menos vira uma
das linhas de cima, e todas elas funcionam.
O preço da alavanca, em duas parcelas
A primeira parcela do preço são os juros, e ela é certa. Vem na coluna da tabela
acima: 28,5% de tudo o que for tomado, pagos ao longo dos 36 meses de carência. R$ 42.813
se o banco puser R$ 150.000; R$ 103.893 se puser os R$ 364.000 inteiros. Sai do caixa
todo mês, chova ou faça sol, e já está descontada de cada número desta seção.
A segunda parcela é a margem de erro, e ela só é cobrada se o movimento decepcionar.
Vale dizer exatamente o que é decepcionar, porque é com esse cenário que a próxima seção
trabalha: a lavagem cobrando R$ 35 em vez de R$ 45, atendendo 30% menos carros
do que o projetado, e com só dois dos quatro boxes alugados durante os três anos
inteiros. Tudo dando errado ao mesmo tempo, por 36 meses seguidos.
| No cenário ruim, quanto vem do banco | Seu capital | Juros dos 36 meses | Quanto você fica à frente |
| Nada | 364.000 | — | 107.650 |
| R$ 100.000 | 264.000 | 28.542 | 79.108 |
| R$ 150.000faixa recomendada | 214.000 | 42.813 | 64.837 |
| R$ 200.000faixa recomendada | 164.000 | 57.084 | 50.566 |
| R$ 250.000 | 114.000 | 71.355 | 36.295 |
| R$ 364.000, o aporte inteiro | zero | 103.893 | 3.758 |
Leia a tabela de cima para baixo e a troca aparece inteira.
Descendo as linhas, o capital exposto do investidor cai de R$ 364.000 para zero — e a
folga que sobra se tudo der errado cai de R$ 107.650 para R$ 3.758. É esse o preço da
alavanca: cada real que o banco põe é um real seu que deixa de estar em risco, e um pouco
da margem de erro que deixa de existir. A operação é exatamente a mesma nas seis
linhas. O que muda é de quem é o risco.
Note que em nenhuma delas o investidor termina no vermelho, nem no pior cenário. E não é
o ponto de equilíbrio que limita, vale registrar por quê: ele sobe de 6,7 para 15,2 carros
por dia com os boxes cheios, e de 10,5 para 19,0 com eles vazios, mas só a partir do
mês 37, quando a projeção já está em 51 carros por dia. Essa folga é larga.
Daí a recomendação em duas partes. Pede-se o valor cheio, porque quem decide
quanto aprova é o banco e não faz sentido pedir menos do que a linha permite. E, se houver
escolha, a faixa de R$ 150.000 a R$ 200.000 é onde as duas parcelas do preço ainda
se pagam: até o cenário ruim deixa cinquenta a sessenta mil reais de folga.
Juros dos 10 anos
227 mil
custo total de financiar o aporte inteiro a 9,94% ao ano
Só juros na carência
2.886
por mês, nos três primeiros anos, sobre os R$ 364.000
Cobertura da parcela
5,2x
resultado médio do ano 3 sobre a parcela do mês 37
A taxa não está publicada
Os 9,94% ao ano usados aqui foram derivados da fórmula do FNE, não copiados de
uma tabela. O banco publica apenas a resolução, e os componentes são reajustados todo
dia 30 de abril.
Ninguém assina em cima deste número: uma ligação ao 0800 728 3030 substitui a conta
inteira. A boa notícia é que ela quase não mexe na tabela, porque entre 8% e 12,4% ao
ano o retorno da faixa recomendada vai de 354% para 346%.
Não há imóvel para dar em garantia
O terreno é alugado, e R$ 100.000 do aporte são obra em lote de terceiro, que é
justamente o que um banco resiste a financiar. Quem assina um FNE de valor cheio
assina pessoalmente.
Os caminhos existem e são conhecidos: alienação fiduciária da própria máquina,
aval dos sócios e o FAMPE do Sebrae, que cobre até 80% da garantia e tem
convênio permanente com o Banco do Nordeste.
Duas regras de sequência que valem dinheiro. O FNE não reembolsa capital já
investido fora de uma janela curta, então nada é pago ao fornecedor antes de o contrato
de financiamento estar assinado. E a operação se apresenta ao banco como uma só, lavagem
com boxes compartilhados, nunca como unidades para alugar: locação de imóvel é uso
restrito no fundo, e o compartilhamento com pequenas empresas que produzem dentro do
mesmo imóvel é exatamente a exceção que a norma prevê.